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domingo, 8 de setembro de 2019

MARECHAL MANOEL DEODORO DA FONSECA

                  Deodoro da Fonseca entrou na escola Militar  do Rio de janeiro, em 1843, aos 16 anos. Sua primeira ação militar foi na Revolução Praieira (1848 a 1850). Comandou o 2º batalhão de Voluntários da Pátria na Guerra contra o Paraguai (1865 a 1870). Em 1868, foi promovido a tenente-coronel por atos de bravura, logo depois se tornou coronel. Em 1874, foi nomeado  general-de-brigada. Em 1885, pela segunda vez, tornou-se comandante das Armas do Rio Grande do Suil, acumulando o cargo de Vice-presidente da província. Logo assumiu o cargo de presidente. Em 1887, foi promovido a marechal-de-campo. No mesmo ano, voltou ao Rio de Janeiro, onde foi eleito o primeiro presidente do Clube Militar. Em 1888. Deodoro foi nomeado para o comando militar do mato Grosso, mas regressou ao Rio de janeiro, no ano seguinte, onde liderou o movimento contra o Imperador Dom Pedro II. Chefe do Governo Provisório, foi aclamado generalíssimo de terra e mar em 15 de Janeiro de 1890 e eleito no ano seguinte presidente da República. 
               Em 15 de novembro de 1889, foi conduzido ao poder. Em 1891 houve a primeira Constituição que determinava a eleição direta para a Presidência da República. Entretanto a primeira eleição teve que ser indireta, e ele foi escolhido pelo Congresso. A apuração final apresentou o seguinte resultado: Para presidente: Deodoro da Fonseca com 129 votos; Prudente de Morais teve 97 votos; Floriano Peixoto 3 votos; Joaquim Saldanha Marinho teve 2 votos, José Higino Duarte Pereira 1 voto; houve duas cédulas em branco. Para vice-presidente foi eleito Floriano Peixoto, que compunha a chapa com Prudente de Morais, foi eleito com 153 votos.
                  Com esta eleição, o Brasil iniciava uma nova era. Fazia-se necessário o reordenamento da vida civil e política do País. Ainda em 1889, ao assumir a chefia do Governo Provisório, Deodoro dissolveu as assembleias provinciais e as câmaras municipais. A partir de então, as Províncias foram transformadas em Estados  e seus mandatários presidentes do Estado; os novos chefes foram nomeados por Deodoro, de acordo com as lideranças locais. uma providência importante do primeiro presidente foi a separação da Igreja do Estado; o catolicismo deixava de ser a até então religião oficial; em seguida concedeu nacionalidade brasileira a todos os imigrantes estrangeiros radicados no País; regulamentou o casamento civil e o registro civil de nascimento e houve secularização dos cemitérios. Ainda no seu curto governo houve a reforma geral no ensino, no sistema bancário e na organização jurídica, com o novo Código Criminal. 
             Um ano após a proclamação da República, foi instalado o Congresso Constituinte que escreveu a primeira Constituição republicana do Brasil, que foi promulgada  ainda em 1891. Também foi instituído o voto universal para homens alfabetizados, maiores de 21 anos e proibia o voto de mulheres, analfabetos, religiosos e militares. As eleições passaram a ser diretas para presidente, vice-presidente, Senado e Câmara, mas não valeriam para a primeira eleição. Isso se deu pelo fato de que tudo estava acontecendo de forma muito precipitada, pois o Brasil precisava urgentemente tomar um novo rumo de forma republicana. 
               Apesar de toda sua diplomacia, o novo presidente se indispôs com os políticos, que culminou com uma tentativa de golpe à nova Constituição em 3 de novembro de 1891. Isso levou Deodoro a posicionar batalhões à frente da Câmara e do Senado, dissolvendo o Congresso e decretando estado de sítio. 
O Discurso
               "Brasileiros! A situação em que se acha a nossa cara Pátria é difícil e suprema. Para salvar as instituições republicanas, assumo perante a Nação a responsabilidade do ato que acabo de praticar, dissolvendo o Congresso... Os inimigos da pátria tentam francamente  a destruição das instituições. A sua arma é o desespero de todas as classes, o descrédito de nossas finanças. Sofre o povo a carestia da vida e não longe estarão a miséria e a fome. Sofrem o comércio e as classes produtoras do País, devoradas pelos sindicatos. Quanto mais exuberante é a agricultura, tanto mais a fraude esteriliza sua seiva vital... Para evitar todos esses males, resolvo, como disse, dissolver uma assembléia que só poderá acarretar ainda maiores desgraças." Em 4 de Novembro de 1891. 

                A edição do Jornal do Brasil de 24/11/1891 estampou a seguinte a seguinte nota: 
               "Os atos do poder executivo, pelos quais a 3 do corrente  foi dissolvido o congresso nacional, e constituídas em estado de sítio esta cidade e a capital do Rio de Janeiro, havia criado no país uma situação por tal forma anormal que, fácil era de prever, não poderia prolongar-se longo tempo.  Dia a dia essa situação foi se tornando mais tensa: a calma enganadora do primeiro momento cedo sucedeu o desassossego em todos os espíritos, o temor em todos os ânimos, a desconfiança cada vez mais profunda e mais nociva nas classes que trabalham e produzem. Suspensas as garantias constitucionais e suprimida a liberdade de imprensa, o espírito pública não se podia nutrir  senão de apreensões e pavores, que a princípio murmurados a medo corriam depois sob a forma de boatos aterradores, destruindo no comércio e segurança, nas famílias a paz, na sociedade inteira tranquilidade. Por fim., a luta iniciada e vitoriosa em alguns Estados, contra o poder central e contra a autoridade em que ele se investira, vieram ainda mais agravar a situação, tornando-a ao mesmo tempo mais perigosa e mais fraca, mais tenebrosa pelos riscos iminentes que começaram ameaçar a união brasileira e a integridade nacional, menos sustentável por parte do governo central, a quem um a um irão fatalmente faltando depois disso todos os elementos que lhe seriam preciosos para manter-se na posição assumida. 
                A pressão desses gravíssimos sucessos determinou a solução de que foi ontem testemunha a população desta capital. A atitude assumida pela armada, a cuja manifestação associou-se o exército, para de comum acordo reclamarem a volta à legalidade constitucional decretada a 24 de Fevereiro, resolveu a crise, determinando a renúncia do Sr. Marechal Deodoro e a ascensão do Sr. Marechal Floriano à presidência." 
            "O ilustre Marechal Deodoro faleceu no prédio de sua residência à Rua Senador Vergueiro - Botafogo - RJ. 
               Às 3, 1/2 da tarde começou-se armar a câmara ardente na sala de visitas. Havia já então grande número de pessoas gratas  e amigos do finado, que ocupavam os diversos compartimentos do edifício. 
               No pequeno pátio da escada, pelos corredores, nas salas, havia já grupos de amigos, jornalistas, homens políticos vestidos de luto, que falavam baixo, segredando, por assim dizer, o elogio de ilustre morto. 
                 Na câmara, silenciosamente, algumas senhoras choravam. 
                 Concluído o trabalho dos armadores, forradas de pano preto e ouro as paredes da sala de visitas, armado a um dos lados um altar, e no centro da sala o catafalco, ai colocado o caixão modesto, onde fora antes depositado o corpo do extinto marechal . " (Transcrito da edição de 24/8/1892)

                O Marechal Deodoro, descendo a túmulo, deixa a maior herança que um homem pode legar ao seu país a aos seus contemporâneos: uma instituição da qual o seu nome não será desligado. Ao país, que recolheu-lhe a herança, àqueles que têm de representar o poder, cabe a missão de tornar essa instituição  a obra coletiva e amada da pátria. 
Providências após o falecimento
                 "O ilustre marechal faleceu às 12 horas e 20 minutos da tarde. 
          Logo após sua morte, dirigiu o Sr. Dr. João Severiano da Fonseca ao Sr. general (ajudante-general do exército), a seguinte carta: 
             "Sr. general. - Fui encarregado pela viúva do marechal Manoel Deodoro da Fonseca, falecido hoje às 12 horas e 20 minutos da tarde, de comunicar-vos que foram suas últimas vontades, terminantemente expressas, que não queria nenhuma demonstração militar-oficial, por ocasião do seu enterro. 
          Tenho a honra de levar ao vosso conhecimento. - Exmo. Sr. general Antônio Enéas Gustavo Galvão. - Dr. João Severiano da Fonseca. 
               Levada ao conhecimento do Sr. marechal, vice-presidente da república, a comunicação supra, mandou S. Ex. o seu ajudante de ordens, capitão-tenente Pinto de Sá, perguntar à Exma. família do finado se concordava que fossem dispensadas as honras, conforme constava da comunicação, e obtida resposta afirmativa, foi expedido pelo Sr. ministro da guerra o seguinte aviso ao Sr. ajudante-general do exército: 
             Tendo falecido hoje às 12 horas e 20 minutos da tarde o marechal Manoel Deodoro da Fonseca, determina o Sr. vice-presidente da república que, em ordem do dia, dê conhecimento deste infausto acontecimento ao exército. À vista da curta abaixo transcrita,n ão são prestadas ao ilustre morto as homenagens e honras militares a que tinha direito pela sua alta patente, como pelos importantíssimos e inolvidáveis serviços que prestou à pátria durante longos anos na paz e na guerra..."

                Marechal Deodoro da Fonseca casou-se em 1860, aos 33 anos, com Mariana Cecília de Souza Mireles, Não tiveram filhos. 

A REPÚBLICA VELHA

                O) primeiro período republicano durou 41 anos, ao longo dos quais governaram 13 presidentes. Após uma tumultuada fase de implantação, na qual os republicanos, em meio a disputas pelo poder entre civis e militares , tiveram de recorrer à experiências de antigos colaboradores do Império, sedimentou-se a política do café-cm-leite, Que ditaria os destinos do país, segundo os interesses das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais, até a Revolução de 1930. 

MARECHAL MANOEL DEODORO DA FONSECA

                  Deodoro da Fonseca entrou na escola Militar  do Rio de janeiro, em 1843, aos 16 anos. Sua primeira ação militar foi na Re...